31.10.08

o atlântico é mais do que um rio

ele há coisas, às quais é impossivel não arregalar os olhos, quando tentamos olhar para além da espuma destes dias de histeria colectiva, em consequência das eleições americanas.
para além do rebuscado e prolongado sistema eleitoral (dos caucus ao colégio), das moscas e das roupas da sarah palin, da fox e dos pastores radicais, apetece-me dizer que os candidatos e suas entourages, partem do principio que os seus eleitores são ignorantes.
e porquê?
já imaginaram o que seria, se de repente saltasse para o palco de um comício ao lado de paulo portas ou manuela ferreira leite, uma personagem mais-ou-menos-liga-dos-últimos, que por mera oportunidade circunstancial, numa feira, numa lota ou numa arruada, tivesse feito um pergunta de resposta não-pronta de josé sócrates? - paulo portas, ou louçã, ou mfleite: "zé pintor, venha ao palco! venha falar da politica de impostos do sócrates!". seria uma atitude mediaticamente esmagada. e ainda bem. pois foi o que fez mccain e o joe já vai escrever um livro e gravar um cd.
por outro lado, dei-me conta do fenómeno dos call-centers de voluntários, que passam o santo dia a ligar para a malta, tentando influenciar o voto, tipo:
triiiiim
- "sim?"
- "sr. miguel p?"
(...ai, queres ver que é o gajo da pt, outra vez????, porr...) - "sou, sou... diga lá, mas olhe que eu não posso estar muito tempo ao telefone, estou a conduzir... é o sr. da pt? eu já lhe tinha dito que era agora cliente da cabovis.."
- nããããooo... estou a ligar-lhe da parte do dr. paulo portas, para saber se posso contar com o seu voto para fortalecer o apoio à lavoura e aos espoliad..."
disto fazem os dois candidatos. e numa escala que não poderíamos nunca conceber.
acho importante que o obama ganhe e desde há muito que lhe fiz o meu inútil endorsement.
nem que seja, pelo simples conceito catalizador de mudança a vários níveis, como pelo facto, a todos os níveis condenável pelos republicanos... de querer distribuir a riqueza european style. enfim... um perigoso socialista.
o resto do mundo, que não vota, mas aparentemente vibra, dependemos, infelizmente, demais destas eleições.
e se o obama perde?

3 comentários:

S Guadalupe disse...

Inevitavelmente cá nos vamos tornando especialistas em política interna dos EUA e no seu sistema eleitoral, dito reduto democrata...

A história de Obama representa o melting pot. Só por isso, ganhe o poder simbólico!

Frequentemente, o problema é que os Joes não conseguem pensar para além dos seus tractores!

Na 3ª logo veremos para onde a América pende. Eu tenho muitas dúvidas que ele ganhe (pelas mesmas razões que o gostaria de ver ganhar). Se ganhar, o mundo ocidental ganha muito mais do que mudança de partidos e orientações políticas. O mesmo se passaria caso estivesse a Hillary!

Xá Verde disse...

Bom, a primeira dúvida foi desfeita. O homem ganhou. DSem querer agoirar, resta saber se chega vivo ao acto de posse (salvo erro em meados de Janeiro). É que não me apetece nada colecionar mais um herói a preto e branco, um mito pelo que faria "se", como vários outros na História americana, que nisto tando dá para o cinema como para a política.
De qualquer forma, mesmo que o homem (lá estou eu...) não chegue ao acto de posse, pelo menos já conquistou uma pequena vitória para o Mundo: A Palin, em cenário algum, poderá um dia chegar a presidente. E se, às vezes, a vossa mente for tão tortuosa como a minha, percebem que a possibilidade existia... Yes, she could...

tiago m disse...

a palin de facto seria uma coisa extrardinária…

e o atlântico é mais que um rio; as eleições americanas são mto pouco semalhantes às portuguesas, embora curiosamente as eleições para presidente em Portugal tenham MUITO mais semelhanças: espirito mais participativo, mais voluntários nas ruas, menos dependência de partidos

será essa ligação mais pessoalizada uma das diferenças?